terça-feira, 21 de agosto de 2007

Cansei...

Há quase três anos, quando resolvi fazer Jornalismo, me perguntaram: por que Jornalismo?!?! A resposta?! Bom, não sei...
Talvez eu faça Jornalismo porque tenho (ou tinha) aquela ilusão de que só esperar que as coisas melhorem não adiante, talvez eu faça Jornalismo porque achei que o grito dos outros não bastava, que o meu grito também pudesse contribuir com algo, talvez eu faça Jornalismo porque acredito no compromisso com a verdade, talvez eu faça Jornalismo porque gosto da idéia de informar, denunciar, investigar... Não sei... Ou, talvez eu deixe de ficar em casa durante quase quatro horas, cinco dias por semana, por quatro anos, porque eu gosto de passar fome, alias, é ótimo passar fome!!! É uma coisa que relaxa a gente...
Sinceramente, se tem uma coisa que eu não consigo entender são os seres humanos (calma, eu não vou começar a filosofar) principalmente os seres humanos “acadêmicos”, alias, acadêmicos?!?!? Ai que vontade de rir... Eu sou daqueles que acredita que uma faculdade seria muito melhor se não existissem os professores de faculdade, pelo menos não os pedantes, os pseudo-intelectuais, os que acham que têm o rei na barriga, os recalcados... Mas se tem um tipo de professor de faculdade que é o pior de todos, é o professor frustrado... Vamos analisá-lo: o ser humano passou quatro anos numa faculdade, mais um ano numa pós-graduação (que muito provavelmente foi aquelas meia boca, ou por correspondência), vá lá mais o mestrado... Doutorado não, ele não tem capacidade intelectual e nem emocional pra isso... E depois disso tudo, depois de tanto estudar (estudar???), o que acontece, meus caros colegas? Ele não consegue ganhar bem... E ai o que ele vai fazer? Vai dar aula em faculdade... É ai que esta o problema... Ele vai continuar ganhando pouco (pobre mortal), vai continuar insatisfeito e o que é pior: vai tentar durante todo o tempo desestimular os alunos.
Eu nunca vi na minha vida um professor (principalmente de faculdade) achar que tem moral pra dizer pra um estudante que se ele acha que ele vai ganhar bem na profissão, ele está enganado... Pra mim, uma pessoa que faz isso não deveria ser chamado professor, aliás, uma pessoa que faz isso não era nem pra ter o direito de abrir a boca.
Estudo na maior faculdade particular do Estado (sim, é particular, desculpa se eu posso pagar), tem a maior infra-estrutura e blá, blá, blá... Mas ai é que pergunto: e daí?!?! Adianta isso tudo se eu não vou ganhar direito fazendo o que eu gosto? Adianta ter uma baita infra-estrutura e tecnologia se eu não vou conseguir mudar nada? Por que me falaram que era ótimo eu ter um pensamento critico, que era ótimo que eu quisesse denunciar, levar verdade e fazer um jornalismo sério? Eu lhes digo o porque: Me falaram isso porque eu sou um idiota, e alguém precisava pagar o salário deles...
Eu não pretendo ser a pessoa mais rica do mundo, mas vou me esforçar, fazendo o que eu gosto, pra tentar sim mudar algo, e que venham muitos outros gritar e passar fome comigo, não to nem ai...

“Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo...”


Rodrigo Barbé

4 comentários:

Hanna disse...

É estudando e aprendendo que se consegue as coisas.A faculdade fornece a base, e a base é igual para todos que estão nela. O diferencial (o mais valioso) é o aluno que faz. Não se pode generalizar e achar que todos sairão iguais de um curso e que todos ganharão 800 reais na A Gazeta. Alguns não chegarão nem perto disso. Outros vão agradecer esse emprego e salario. Mas poucos dirão: quero mais. Menos ainda é o número que conseguirá esse "MAIS".
E a gente vai seguindo nosso caminho...

Celia Pinheiro disse...

Que revolta!
ótimo texto :)

ana disse...

Pior é chegar em casa, depois da faculdade, e ter que desconsiderar tudo o que foi dito, por um único motivo: não serviu de nada!!!
Quanta besteira a gente paga pra ouvir!!!

Em todas as profissões existem as pessoas que fazem a diferença!! E quem é tão experiente pra falar que eu, ou qualquer outra pessoa, não é uma dessas???

Professor deveria ser alguém que acredita que pode fazer algo pelo nosso sucesso. Não alguém que já está conformado com a "nossa" falta de capacidade. Porque foi isso que ficou explícito.

Muito bom o texto Rodrigo!!

Rodrigo Cerqueira disse...

Rodrigo,
todos precisamos de gente que queira fazer a diferença. E todos precisamos também de receber decentemente pelo que fazemos, até os que fazem a diferença (ou principalmente eles). O desafio é unir as duas coisas.

Da mesma forma como se escolhe ser jornalista por muitas razões que não o salário, escolhe-se ser professor por uma série de razões outras. E como os jornalistas, alguns professores também querem fazer alguma diferença.

Ninguém é capaz de dizer hoje o que vocês serão capazes de fazer na carreira que está começando. As limitações existem. Mas o maior problema de boa parte dos alunos que encontro a cada semestre é a autolimitação. É o desinteresse. É a falta de decisão para exigir do colega de turma um comportamento condizente com o objetivo de aprender e questionar com o mesmo vigor que se vai à coordenação do curso reclamar do ar-condicionado, das cadeiras, do professor...

Com raras exceções, os alunos de Comunicação não lêem os textos indicados. Se não lêem, não conseguem contestar o professor e aprofundar a discussão. Questionar sem fundamento não é um comportamento condizente com alguém que pretende fazer a diferença.

Eu torço para que sua indignação seja sincera e, principalmente, produtiva. Que contagie seus colegas e mude a postura com que encaram a faculdade, os professores, a carreira, a vida. Isso é fazer diferença.