quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cuidado com o que você lê ou escuta



O dia mais feliz da minha vida foi no que quando pela primeira vez respondi qual era minha profissão. Abri a boca e me enchi para dizer com todas as letras: J-O-R-N-A-L-I-S-T-A. Hoje, vi minha profissão ser banalizada. Para os ministros do Supremo Tribunal Federal o jornalismo, assim como a culinária ou o corte e costura, não precisa de diploma universitário para que seja exercido.


Dessa forma, uma profissão que é regularizada há mais de 40 anos perde a obrigatoriedade de ter profissionais que frequentaram uma faculdade e se prepararam para exercer a função.


Ou seja, qualquer pessoa pode se candidatar a uma vaga de repórter, produtor, editor. Ai eu pergunto: você sabe o que é uma pauta? Um Lead? Se sim, parabéns. Vai poder escrever uma pirâmide invertida.


O ministro Carlos Ayres Britto disse que “Não se pode fechar as portas dessa atividade comunicacional, que em parte é literatura, arte, muito mais do que ciência, muito mais do que técnica ”. Ora por que não abrir para todas as profissões então?? Quer profissão mais linda que um médico que salva vidas? Que seja liberada para quem quiser se dedicar.


E quem disse que a faculdade de comunicação ensina basicamente técnica? Ensina a pensar, a ser crítico a buscar caminhos....


Já Cezar Peluso, ministro STF disse que “o curso de jornalismo, [..] não garante eliminação das distorções e dos danos recorrentes do mau exercício da profissão, que são atribuídos a deficiências de caráter, de retidão e ética”. Podemos citar ainda que o bacharelado em direito não inibe o profissional que mente para defender um cliente ou, ainda, um juiz julgar sem ética. Quem sabe, até, um ministro vendido. Ou oito deles.

3 comentários:

Gabriela disse...

Não adianta, os valores nda sociedade sempre estão invertidos, e sempre a favor de quem está no poder ou que detêm o poder!

Mas acho que o jornalismo em si não deveria dar essa noticia como qualquer outra. Comunique-se e não deixe que isso chegua a este ponto!

Gabrielle Palópoli disse...

Concordo com vc Fábio, estudamos 4 anos, tivemos orgulho de pegar nosso diploma e dizer q somos jornalistas, enquanto alguns ministros tiram isso de nós...
Enfim, daqui uns dias teremos a frente da comunicação brasileira 8 ministros que acreditam que qualquer pessoa pode preencher o lugar do jornalista só pelo fato de liberar a comunicação para a sociedade...

ABSURDOOOOOO....

Max disse...

Um das vertentes direcionais da ignorância é a insensatez política. Seria muito mais sensato, por iniciativa ou não do MEC, alocar recursos para a criação de um curso profissionalizante para políticos (tendo no mínimo 03 matérias básicas: Ética, Psicologia e Disciplina).
Permitir que, discussões pertinentes a viabilidade ou não de um curso profissionalizante como o de Jornalismo, é uma demonstração de como a casa nacional está desnorteada. De certo, não deveriam estes diminuir o peso e a medida dos cursos já existentes, deveriam então diminuir seu próprio peso e medida como “profissionais”.